Este
tipo de tratamento, substituto da hemodiálise, deram-se
os primeiros passos por GANTER em 1933, claro como em tudo,
existiram ao longo dos anos aperfeiçoamentos e inovações
técnicas que permitem actualmente utilizar com bons
resultados clínicos como meio de depuração
no tratamento dos Doentes Renais Crónicos em fase terminal.
Após a introdução de cateter peritoneal,
permanentes e posteriormente de máquinas de diálise
automáticas, respectivamente em 1962/64 e 1971, grande
número de Doentes Crónicos passaram a ser tratados
por D.P.C.A. - Diálise Peritoneal Intermitente em Centros
Hospitalares e no Domicilio.
Porém em 1976 Popovitch e Malutrif propuseram uma variante
da Diálise Peritoneal, constituindo um meio de depuração
contínua Ambulatória (D.P.C.A.). Esta
técnica consiste em criar através de um cateter
Peritoneal permanente uma ascite Artificial de dois litros,
que permanece na cavidade abdominal durante quatro horas
e é renovada, quatro a cinco vezes ao dia.
Em 1978, Ariópoles e seus colaboradores
introduziram o uso da solução em sacos plásticos
flexíveis portáteis e ligados ao catéter
em sistema fechado.
Esta inovação técnica,
aliada ao uso de outros dispositivos como adaptadores de
titanio, protectores da conecção com os sacos
e filtros bacteriológicos inclusos no sistema, passou
a garantir menos incidência de peritonites, pelo que
a Diálise Peritoneal Contínua Ambulatória
(D.P.C.A.) se expandiu rapidamente, estimando-se hoje em
cerca de cinco mil o número de doentes tratados por
esta modalidade terapêutica (naturalmente que no momento
presente já serão mais, visto que estes dados
são de uma comunicação feita em 1981).
Trata-se pois de uma Diálise com clarificações
baixas mas permanentes, permitindo obter o equilíbrio
entre as concentrações dos vários metabolimos
no sangue e na solução de Diálise,
pela remoção de água e moléculas
através da membrana peritoneal por fenómenos
de ultra-filtração, difusão e convecção.
VANTAGENS E DESVANTAGENS !!!
As vantagens principais que tem sido indicadas
para a DPCA - Diálise Peritoneal Contínua
Ambulatória, são várias. Algumas delas
são por assim dizer de carácter bio-quimico
com a subsequente repercussão clinica.
O control das concentrações
de ureia, creatinina, sódio, potássio, cálcio
e fósforo no sangue, atinge-se de forma progressiva
e não sujeita a grandes flutuações.
A clarificação peritoneal das moléculas
médias - como se sabe tem sido indicadas como sendo
importantes na toxémia urémica - é
superior à obtida em Hemodiálise.
Nos grupos estudados, também é salientada
a subida e manutenção dos níveis de
hemoglobina nos doentes em Diálise Peritoneal Continua,
o que poderá talvez ser explicado na ausência
de perdas sanguíneas inerentes à técnica
e provavelmente pela boa remoção de moléculas
com efeito tóxico na medula.
Uma vantagem que tem sido indicada para
a D.P.C.A., é o facto de um doente efectuar este
tipo de diálise no decurso do dia, mo decurso das
suas actividades, e não necessitar de se deslocar
três vezes por semana ao local onde é feita
a Diálise.
Trata-se no fundo de uma comodidade de Diálise domiciliária,
que exige uma aprendizagem rigorosa por parte do doente
e porventura dos familiares que o ajudem, e que requer uma
grande auto-disciplina.
Evidentemente que nem tudo é cor
de rosa, há una quantidade de problemas inerentes
à utilização desta técnica,
há as complicações da D.P.C.A. .
As complicações mais frequentes da D.P.C.A.,
são evidentemente as infecções, as
peritonites.
Há toda uma série de complicações
mas a mais importante e grave é a peritonite, constituindo
a maior limitação do método, sendo
muitas vezes responsável pelo abandono desta técnica,
não só pela frequência das infecções,
que se podem revelar, algumas vezes incontroláveis,
sem que a técnica seja suspendida, isto é,
sem que o catéter que se encontra permanentemente
introduzido no abdómem seja retirado, o que acarreta
além disso perda da permeabilidade da própria
membrana por processos de cicatrização relacionados
com fenómeno a peritonite existente.
A seguir à peritonite, existem complicações
mecânicas resultantes da má posição
do catéter no seu deslocamento que pode impedir a
eficácia da Diálise. È necessário
lembrar também que, devido à permeabilização
da membrana para moléculas grandes , se perdem diariamente
no dializado várias gramas de proteínas nesta
técnica, o que evidentemente exige a compensação
com uma dieta rica em proteínas.
Aqui, sinceramente, o problema da técnica
é, na verdade, essencialmente a limitação
que pode ser representada pela incidência das peritonites.
A incidência das peritonites nesta
técnica, em relação com a diálise
peritoneal intermitente, é sabido, introduz-se também
um catéter permanente no interior da cavidade abdominal,
simplesmente esse catéter é fechado no intervalo
da diálise não ficando liquido no interior
do abdómem.
Esta técnica tem revelado de uma incidência
muito alta de peritonites, por isso hoje, poucas pessoas
a fazem. Segundo informações, talvez seja
mais usada em França. A incidência de peritonites
na D.P.C.A. é extremamente mais baixa do que na anterior,
provavelmente pela existência de liquido continuamente
na cavidade abdominal mas ainda não se conhece muito
bem as razões, mas são seguramente relacionadas
com esse facto.
O problema que se pôe em relação à
D.P.C.A., no fundo é um problema igual aquele que
se pôe com todos os métodos de diálise,
é um problema que está a surgir e que é
o seguinte:
Quando os métodos de diálise foram iniciados,
era manter os doentes em vida da melhor maneira possível
e portanto é um grande êxito Ter conseguido
recuperar e fazer sobreviver pessoas que estavam obviamente
condenadas a morrer dentro de pouco tempo. Ninguém
sabia muito bem o que é que ia suceder com o tratamento
a longo prazo, e hoje estamos na verdade em face da situação
de averiguar qual a validade deste tratamento a longo prazo,
visto a sobrevivência dos doentes com Hemodiálise
é extremamente prolongada.
As
técnicas de Hermodiálise é extremamente
prolongada.
A Hemodiálise e a tolerância da mesma foram
melhorando progressivamente e hoje há doentes que
estão a ser dializados há mais de dez anos.
Assim, o problema que se põe em
relação à técnica, isto abrange
também o Transplante, é o procurar de melhor
qualidade de vida e manutenção em vida o mais
tempo possível de todos os Insuficientes Renais Crónicos,
que nós pensamos já ser uma grande proeza
fazer sobreviver estes
Doentes 3,4,5 anos, mas hoje podemos faze-los sobreviver
períodos mais prolongados.
O desejo de todos nós é que
as técnicas evoluissem de tal forma, que a sobrevivência
de cada grupo afectado de Insuficiência Renal Crónica
não fosse menor, por esse facto em relação
aos outros grupos etários.
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