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UM PASSADO UM PRESENTE UM FUTURO

A ADRNP - Associação dos Doentes Renais do Norte de Portugal, primeira representante dos Insuficientes Renais Crónicos em Portugal, orgulha-se de ter nascido no Hospital Geral de Santo António em 6 de Março de 1976, com o apoio de Médicos, Enfermeiros e Doentes, de forma a ser a uma interlocutora válida e representativa a nível nacional, junto do Governo e Entidades com poderes para conseguir objectivos tais como, a abertura de Centros de Hemodiálise em Portugal (a nível hospitalar) de forma a repatriar todos os nossos companheiros que foram obrigados a emigrar, fugindo à morte certa que a permanência no nosso país acarretaria.

Como se compreende, o alcance dos nossos objectivos não se coadunava a nossa permanência no serviço de atendimento de Nefrologia do Hospital onde nascemos, dado ser um espaço exíguo e não ter as condições necessárias para atendimento de sócios, inscrições, encaminhamento, etc. O Presidente da Direcção à data cedeu uma sala na sua residência que funcionou como Sede provisória até que, mercê de toda uma persistência que os mesmos possuíam, conseguiu-se, em Dezembro de 1982, uma Sede Social (Antero Quental) cedida pela Assembleia Distrital do Porto, com o apoio do Governo Civil do Porto.

Havia a necessidade de prosseguir o trabalho iniciado pois não poderíamos ficar apenas pelo repatriamento (conseguido em 1978/79). Existia a necessidade de se começar a pugnar por legislação que definisse regras para o Tratamento, Abertura e Funcionamentos de novos Centros de Hemodiálise. Não poderíamos continuar a ter Centros Hospitalares somente no Porto, Coimbra e Lisboa, existindo doentes do Norte a Sul do País que para poderem receber o tratamento tinham que se deslocar 300 e mais quilómetros. Por isto, começamos de imediato a apresentar exposições no sentido de exigir ao Governo a abertura de novos centros, assim como o transporte gratuito para os mesmos, medicação, reabilitação e integração.

Porém, e porque parar é morrer, rapidamente os objectivos da Associação se alargaram à realidade dos doentes renais:

· Prestar todo o apoio moral, social e económico com vista à sua recuperação, reabilitação e integração na sociedade como cidadãos válidos;

· Pugnar por todos os meios para que os mesmos tenham tratamento, transportes, medicamentos, exames, diagnósticos e transplantes gratuitos;

· Apoiar com acções públicas, conferências, colóquios, mesas redondas, informação, sensibilização e prevenção, focando essencialmente a problemática das diversas formas de tratamento dos Insuficientes Renais Crónicos e a Doação e Transplante de órgãos (sempre com a colaboração médica);

· Orientar os Insuficientes Renais Crónicos desempregados para a sua inserção ou reinserção sócio-profissional, encaminhando-os para os centros de emprego;

· Visita regular aos Insuficientes Renais espalhados pelos diversos Centros de Hemodiálise do País;

· Apoio Jurídico;

· Pôr a funcionar um consultório médico de apoio aos associados e de prevenção à Insuficiência Renal Crónica, e se possível, um centro de enfermagem;

· Pugnar pela criação de uma Residencial para os Insuficientes Renais mais carenciados.

Para isso conseguimos pôr de pé um projecto que nos acompanhava desde 1981, Ano Internacional do Deficiente, e que se concretizou em 1992 com a assinatura do Protocolo de Cedência com a Câmara Municipal do Porto, de um espaço onde iria ser, após as obras exteriores e terminadas em Setembro de 1997 e respectiva entrega das chaves do espaço, o nosso Centro Social em Lordelo do Ouro – Bairro da Mouteira. Esse espaço, com inauguração em Novembro de 1998 contou com as presenças do Secretário Nacional de Reabilitação Dr. Vitorino Vieira Dias, da Vereadora Dr. Maria José Azevedo em representação do Presidente da Câmara Municipal do Porto, do Presidente da Junta de Freguesia de Lordelo Sr. Adriano Leitão e de representantes Autárquicos e Associativos.

Importa salientar que o mesmo espaço nos foi cedido completamente vazio, ainda em betão e sem qualquer divisão. Somente com o empenhamento da Direcção foi possível materializar o Centro Social, recorrendo ao apoio solidário público mas também suportando muitos dos custos. Tudo estava por fazer, desde as divisões, a requisição aos Serviços de água e luz e respectiva montagem, etc.

O mesmo é actualmente composto por diversas valências, desde o Consultório Médico, Biblioteca, Secretaria, Contabilidade, Salão Nobre e ainda um espaço aberto, onde podem ser realizadas diversas actividades lúdicas e serve também como cafetaria (poderão ver fotos em Instalações).

Estamos a tentar concretizar um outro objectivo que será o da criação de um novo espaço onde possamos montar a Residencial para os Insuficientes Renais mais carenciados e sem família.

Porém continuamos preocupados com a assistência técnica e clínica dada aos Insuficientes Renais, pois embora esteja melhor, há ainda a necessidade de reconhecermos que a qualidade desejável não chega a todos. Devemos em consciência assumir que a falta de condições a vários níveis não vai deixando fazer melhor. Todos têm presente que uma significativa parte de Centros de Hemodiálise, quer privados ou estatais, ainda não obedece à legislação de Abertura, Fiscalização e Funcionamento dos mesmos.

Admitimos porém, existir um significativo esforço na modernização de alguns Centros e doutros que foram e estão a ser criados de raiz, merecendo assim da nossa parte o reconhecimento devido.

Continuamos a sensibilizar os Directores Clínicos que vamos visitando nos Centros de Hemodiálise, no sentido de serem criadas as condições necessárias para que a humanização, assistência clínica, psicológica, dietética e social sejam uma realidade.

Um dos objectivos mais importantes e actuais é a participação devidamente informada do doente no seu processo de tratamento a partir do diagnóstico, podendo assim existir a livre escolha dos Insuficientes Renais no que toca às diversas técnicas alternativas existentes de tratamento. Se este método for alcançado ficaremos orgulhosos pois, dependendo do doente em causa, poderá haver tratamentos tão bons como a hemodiálise, poupando-o assim a um tratamento tão penoso.

Aproveitando esta história, importa dizer também que somos fundadores (1981) e sócios da CNOD – Confederação Nacional dos Organismos de Deficientes.

Por todo o trabalho já realizado em prol dos Insuficientes Renais foi, em Outubro de 1999, publicado em Diário da República o reconhecimento desta Associação como Associação de Utilidade Pública.

Queremos ainda salientar que em 2002 fomos novamente integrados no Conselho Nacional de Reabilitação, depois de anos afastados exigindo sempre a nossa reintegração. Fomos assim chamados a participar num órgão que por direito próprio nos vinha sendo negado.


Orgulhamo-nos também de sermos convidados a participar como Fundadores e Curadores da Fundação Renal Portuguesa, instituída em Janeiro de 2005, com o fim de criar uma resposta social ao Tratamento, Prevenção, Investigação e Integração dos Insuficientes Renais Portugueses.

Nesta exposição mostramos sinteticamente o que foram cerca de 30 anos de existência desta Associação onde, quer os dirigentes actuais, quer os anteriores, tudo têm feito para assegurar uma melhor qualidade de tratamento, a defesa das diversas técnicas de tratamento, o aumento da recolha e dádiva de órgãos ou tecidos para o Transplante Renal e o apoio Social de que os doentes se sentem necessitados.


PELO DIREITO À VIDA, À REABILITAÇÃO E AO TRABALHO

A Direcção

 


 

 
 

Associação dos Doentes Renais do Norte de Portugal
2006